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O Bullying e O Início do Descaso

29 de maio de 2012

Quando eu era criança/adolescente sofri bullying. Tentava revidar, batia, brigava, xingava e chorava. Nada adiantava. Era um inferno. Lembro de diversas visitas à coordenação das diversas escolas que estudei e lembro de ouvir coisas como:

– Ele te provoca porque gosta de você.
– Meninos são assim mesmo.
– Aprenda a ignorar.

E outras grandes baboseiras do gênero que mostravam que 1) eu era a responsável, não o agressor; 2) autoridade nem sempre vale alguma coisa.

Veja bem, na época, início dos anos 80 (quando comecei a sofrer bullying), não se falava sobre isso (bullying). Não existia essa palavra, não se via nada de errado com “crianças sendo crianças”. Detalhe é que se eu revidasse, eu ia para a coordenação e o outro não.

Não sei quantas vezes minha mãe foi à escola me defender na direção. Milhares.

Mas eu era a chata, a “purgante”, a dramática, a exagerada.

Quando tinha mais idade, cheguei a ir na coordenação conversar sobre esse tipo de abuso e falar que isso era errado, que a mensagem que a escola passava era que ninguém seria punido por uma conduta indesejável dessas (veja, já tinha argumentos aos 14 anos, sei lá quando foi isso ao certo).

O que ouvi? Ah, ignora, a vida é assim, os meninos são assim.

Boys will be boys.

Sei.

Hoje, pensando nisso, por causa de uma discussão num grupo que participo, me toquei que as escolas ensinam as meninas a NÃO lutarem. Não revidarem.

Se o menino te trata mal, olha que coisa, ele GOSTA de você (aliás, me lembra este filme). Veja, se você for à coordenação, não vai dar em nada.

Piorou quando o bullying vem do professor.

Tive um professor que adorava humilhar os alunos. Um professor de química. Sério. Ódio desse cara.

Tanto que eu passei 3 semanas (veja bem, 21 dias) tentando uma reunião na diretoria para falar sobre o comportamento ridículo dele (os outros alunos achavam “normal” e olha que ele chamava os alunos de idiotas, retardados para baixo). Todas as vezes a minha reunião era desmarcada. Todas.

Até o dia em que eu, na frente da sala, desci o sarrafo nele. Eu já tinha dado umas respostas bem mal-educadas, mas dessa vez eu perdi a paciência de verdade.

Quando aconteceu de nós discutirmos em sala de aula, eu fui expulsa da sal (óbvio) e mandada à diretoria. Finalmente consegui a reunião.

Resultado? Nenhum. Ele continuou sendo grosso, o ano estava acabando e tivemos que nos aturar até o final (ele queria que eu fosse transferida para outra turma, mas meus horários eram incompatíveis e faltava um bimestre para o fim do ano).

Ele continuou com o comportamento enojante dele, eu continuei revoltada, mas para o bem geral da nação, a gente evitou olhar para a cara do outro até o final do semestre. Não sei que fim ele levou, já que saí da escola logo depois. Mas ele deve ter continuado lá

Acho bom que hoje, 15 anos depois da história desse professor, bullying é visto como uma forma de agressão. Não sei como está sendo tratado nas escolas, não acredito que tenha acabado, mas torço para que tenha melhorado.

O que eu vejo é que se a gente aprende a não buscar a autoridade desde cedo, o que vai ser de nós na vida adulta?

Quantas pessoas não sofrem caladas por terem a certeza que nada vai melhorar se forem à polícia?

E quantas pessoas não precisam de ajuda para superar essas violências passadas?

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