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Sou Mais do que uma Coleção de Sílabas

29 de junho de 2012

Gostaria que vocês me conhecessem melhor. Não quero ser uma coleção de sílabas, de palavras, quero que saibam (pois, às vezes, a gente se esquece – inclusive eu, ao ler o blog alheio), que aqui está uma pessoa do outro lado do seu computador, do outro lado da telinha…

Meu nome é Virginia.

Sou talvez um cliche. Sou uma coletânea de mim mesma. Não tenho soluções mágicas, não conheço muito da psicologia. Não sei bem ao certo se tenho alguma ou qualquer qualificação para falar sobre os assuntos que discuto aqui no blog.

Sou um ser humano.

Tenho pessoas que me amam, pessoas que me odeiam, pessoas que me são indiferentes.

Fiz terapia, tomei remédios, fiz tratamentos, tive doenças.

Tive depressão. Séria.

Sou ansiosa, o que é pouco comum em pessoas com depressão. Mas existe. Eu existo.

Tenho, hoje, uma vida confortável, sem excesso, mas sem faltar nada. Não sou rica.

Sou formada em direito, concursada. Moro em Brasília, capital dos servidores públicos.

Já questionei a minha existência, já quis morrer, já tentei esquecer tudo com remédios e/ou álcool.

Nada resolveu os meus problemas.

Quer dizer, até eu enfrentá-los de frente. Até abraçá-los e dizer: vocês pertencem a mim. Não o contrário.

Sou mais do que os meus problemas.

Sou mais do que o que já passei. O abuso, o sofrimento, a dor, fazem parte da minha história. São partes de mim. Partes com as quais luto diariamente para que não tomem conta de mim.

Nasci em 1979. Este ano completo 33 anos.

Tenho minha fé, sem exercer religião. Acredito em Deus. Sigo a doutrina espírita. Até hoje foi a que mais me acolheu e encaixou com as minhas crenças.

Meus pais me tiveram jovens demais. Talvez isso tenha contribuído para o abuso que sofri por parte dele, do meu pai. Não sei. Não posso falar por ele, posso falar por mim.

Tenho um bom relacionamento com a minha mãe, a minha madrasta e as minhas irmãs (ambas bem mais novas).

Nem tanto com meu pai, meus tios, meus avós vivos (a mãe da minha mãe, minha avó materna, portanto, faleceu há quase 10 anos). Nem tanto com meus primos.

Hoje estava me lembrando… Em certas ocasiões importantes na minha vida, naqueles “marcos,” estive sozinha.

Na minha primeira menstruação (sim, menstruo, transo, etc), minha mãe morava em outra cidade. Quando me casei (fui casada com um homem maravilhoso, mas não deu certo), meus pais não compareceram. Quando defendi a minha monografia (ou TCC – Trabalho de Conclusão de Curso), ninguém pode estar presente. Nem meu então marido. Quando fui à solenidade da OAB para receber a minha carteira, ninguém compareceu. Meu pai mandou um email comovente (!!!) que devo ter guardado em algum lugar até hoje.

Engraçado é que tudo o que eu queria era isso – família. Pessoas que pudessem estar ao meu lado em momentos importantes. Para o bem ou para o mal.

Queria aquela família perfeita, unida, acolhedora. A realidade me mostrou bem diferente.

Minha família é bastante desunida.

Mas isso acabou me ensinando a ser feliz sozinha.

Mentira.

Com o tempo, eu APRENDI a ser feliz sozinha.

Acredito, ainda, no amor. Não tenho medo dele. Acredito que vou amar novamente (ontem, dia 28, seria aniversário de um namoro que acabou em agosto do ano passado e, aliás, foi aniversário da minha mãe).

Aprendi a dar valor ao que dá certo. Isso tem feito de mim uma pessoa mais feliz.

Aprendi a me amar antes de amar outras pessoas. Essa, talvez, foi a maior lição nos últimos tempos.

Aprendi a confiar em mim. Na minha capacidade, no meu coração.

Só que nenhum aprendizado veio do dia para a noite.

Não foi do dia para a noite que eu perdoei as pessoas que me fizeram mal. Aliás, ainda nem perdoei tudo o que me aconteceu.

Gente, não sou perfeita. Não tenho todas as respostas e ainda tenho uma penca de perguntas.

Então, o que me qualifica?

Acho que a minha experiência.

Passei por muita coisa. Passei por pesadelos e saí (acredito) vencedora.

Lutei para viver, apesar de, várias vezes, ter tentado desistir de tudo.

Tenho qualidades e defeitos como qualquer ser vivo.

Tento ser uma pessoa melhor.

Trabalho, estudo, tenho sonhos. Sonhos que, muitas vezes, são pisoteados. Sonhos que impressionam outras pessoas. Sonhos.

Não é o abuso que sofremos que nos define. Ele faz parte de nós. Não o contrário. Eles nos pertencem. Não pertencemos a eles.

A vida é essa.

Como um jogo de cartas, a gente tem que lidar com aquelas que recebemos. Confiar um pouco na sorte, desconfiar um pouco, saber que existe o azar.

E crer, acreditar, esperar, que coisas melhores virão.

Posso não conhecê-los. Vocês podem não ter, pessoalmente, cruzado o meu caminho, mas eu desejo, do fundo do meu coração, que todos os que me visitam encontrem a felicidade, o amor, a compaixão.

Eu espero que vocês conquistem o mundo.

E eu amo vocês. De verdade!

Afinal, qual outro motivo teria para investir tanta energia por aqui, não é?

Um beijo!

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One Comment leave one →
  1. Ana Elizabete Britto permalink
    4 de julho de 2012 17:42

    Virginia, muito bom saber de voce, belo texto, obrigada!

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