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Quando a “Consciência” é dos Outros

2 de julho de 2012

Provavelmente isso já aconteceu com todo mundo.

Você queria aos 10 anos ser policial. Mas aí vem alguém, cheio de boas intenções, e fala que ser policial não é uma boa, já que é perigoso, não paga tão bem (o que é discutível) e, bem, melhor você pensar em outra coisa.

Aí você decide que quer virar bombeiro. Piorou.

O sonho de todos os pais é que os filhos sejam advogados, médicos, engenheiros.

Você quer ser professor do segundo ano do ensino fundamental.

Aí, conforme a pessoa vai crescendo, os pais, os amigos, os tios, os professores de escola, vão indicando as profissões ideais para você. Se gosta de matemática, engenharia. Ciências, medicina. Gosta de ler, escrever, direito.

Alguém perguntou o que o faz feliz?

A mim, não me lembro de terem feito essa pergunta.

Aí você cresce achando que “é bom” nisso ou naquilo. Vai focando seus estudos em exatas ou humanas. Ninguém fala ou incentiva a ser bom em tudo. Aliás, nem vou falar do machismo de dizerem que “menina não é boa em exatas e menino não é bom em humanas”.  Talvez essa seja a maior balela de todos os tempos.

Eu era boa em exatas. Aprendia fácil, mas não gostava. Não me empolgava, sabe?

Fora as aulas de teatro e música, a aula que mais gostei no ensino médio (sim, fiz teatro e música e outras coisa bem legais durante o ensino médio) foi história da arte.

Amei. Passava horas lendo e escrevendo sobre pinturas. Pude ver várias ao vivo e a cores. As aulas eram ótimas.

Mas, a gente tem que ganhar dinheiro. E não sei se tem graduação no Brasil em história da arte. Sei que tem uma cadeira no curso de história em Brasília, mas graduação mesmo em história da arte… necas.

Qual curso escolhi? Direito. Claro.

Mas tive sorte também.

Apesar disso, tem uma voz no meu ouvido que sempre me provoca, que sempre diz que eu não vou conseguir. Aquela voz que a gente confunde com a consciência e que, na verdade, são todas aquelas dúvidas colocadas na nossa cabeça.

É a voz da professora que me falou que achava que eu nunca teria uma nota boa. A voz do meu pai dizendo que eu era burra (depois ele falou que não queria dizer que eu era “burra” academicamente, só “burra para a vida”). A voz de um ex namorado falando que eu não tenho capacidade para passar no concurso que eu quero.

E a voz das minhas próprias dúvidas, dos meus próprios fantasmas.

A voz que me desafia diariamente. Que ri dos meus tropeços. Que faz com que eu duvide diariamente da minha capacidade.

A voz que cresce das dúvidas, das chacotas, das vezes que disseram que eu não conseguiria.

Por mais que eu hoje seja uma pessoa mais segura, muitas vezes, à noite (afinal, fantasmas adoram aparecer durante a noite), a insegurança bate à porta e eu escuto tudo isso novamente.

Não importa que eu tenha passado em concursos públicos. Não importa que eu não suei (como grande parte dos meus colegas) para passar no Exame de Ordem (da OAB).

Nem importa que hoje, ao pegar o meu histórico escolar do ensino médio, tenha levado um susto. Não lembrava de ter um boletim tão bonito…

Não importa que eu seja elogiada pela minha inteligência, pelo meu modo de escrever… A insegurança bate justamente em tudo isso.

E é contra esse fantasma que a gente tem que lutar. Essa “consciência coletiva” do que os outros acham que somos. Ou o que eles acham que deveríamos ser.

Outro dia li uma historinha atribuída a John Lennon. Não sei se é verdade ou não.

Diz que quando tinha 5 anos, perguntaram na escola o que ele queria ser quando crescer. Ele respondeu: Feliz. Falaram que ele não entendeu nada da pergunta e ele retrucou que a pessoa não entendia nada da vida.

Se a história é dele mesmo, se não é, não importa. A verdade dessa afirmação é linda.

Se eu pudesse, tentaria ensinar a todas as crianças essa resposta.

Felicidade não depende de dinheiro, não depende de profissão. Felicidade vem de dentro como uma chama. E é abafada por todas essas dúvidas e todas essas frases que nos fazem questionar nosso potencial.

Por fim, não deveria ser esse o objetivo de todos nós?

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