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Não se Compra um Coração

14 de julho de 2012

Outro dia eu recebi pelo facebook uma historinha na qual perguntavam a um(a) senhor(a) qual era o segredo para um casamento duradouro, ao que foi respondido algo como:

– Meu filho, eu sou de uma época em que se uma coisa quebrava, a gente consertava. Não se comprava outra.

Fiquei refletindo sobre o assunto…

Meus pais se separaram quando eu estava na puberdade. O divórcio veio em seguida. Foi um baque, uma violência (levando-se em consideração como é meu pai, foi ótimo, claro, mas só depois a gente vê isso). Meu mundo ruiu, mais de uma vez acusei a minha mãe, mais de uma vez achei que aquilo, sim, era o fim do mundo.

Não foi.

Jurei para mim mesma que não cometeria os erros dela, que aprenderia com eles, que saberia, quando chegasse a minha vez, “segurar um marido.” Eu era aquele tipo de mulher – achava que o só casamento me faria feliz (e me fez, não vou negar), que viveria “feliz para sempre” já que, afinal, eu sabia “tudo” sobre como segurar um marido.

Casei aos 23 com um homem de 24. Tinha certeza que seria para sempre.

Fui aquela esposa calma, compreensiva, companheira. Não criava caso, não dava crise de ciúmes, tratava as diferenças com serenidade. Vamos combinar? Eu, provavelmente, era um porre. Emoção zero (tem gente que gosta de emoção… eu, até hoje, prefiro a tranquilidade).

Dois anos depois ele se apaixonou por uma mulher que era tudo o que eu não era. O casamento acabou. Não teve conversa, santo, simpatia, que fizesse com que ele escutasse a voz da razão (e dos amigos) e tentasse focar no casamento (que estava bom, juro!).

Como não tínhamos filhos, nem bens, cada um pegou sua trouxa e foi pro seu canto. Meu coração quebrou em mil pedaços, perdi 15 quilos em 3 meses, fui demitida, fiz terapia, vivi um inferno.

Passou.

Eu não me imaginava divorciada antes dos 30 anos. Achava que era uma falha grave, doença, sei lá.

Passou também.

A verdade absoluta é essa. As coisas passam. A vida dá voltas.

Aos 27 assinei o documento que deu fim ao meu casamento (dois anos após a separação de fato).

Queria muito ter consertado esse relacionamento, mas não deu. Quando um não quer, não adianta.

Comprar um novo também não acontece.

Posteriormente tive um outro relacionamento longo que acabou no ano passado. Dessa vez não sofri tanto.

O mais incrível (e eu considero incrível mesmo) é que neste ano aprendi a me aceitar. Com meus defeitos e qualidades, aprendi a ser feliz sem depender de estado civil, sem depender de outra pessoa, sozinha.

O que quero dizer com isso?

Que a dor passa. Que a vida vale a pena. Que o mundo dá voltas. Que a tragédia de hoje pode ensinar a gente a viver melhor amanhã.

Na vida não existem atalhos. Vale lutar pela nossa felicidade, vale a pena dar a volta por cima.

É fácil? Não. Claro que não.

Outra frase que eu li é que nada que vale a pena você aprende em 10 simples passos. Vai suar mesmo.

A felicidade não se encontra em lojas. Erra feio quem pensa que o dinheiro faz alguém feliz. Dinheiro compra conforto. Conforto é legal. Dinheiro não compra felicidade. Se comprasse, não existiriam tantos artistas por aí morrendo por causa de drogas (só nos últimos anos foram quantos?).

No fim das contas, a gente remenda nosso coração. Por mais difícil e doloroso que seja, a gente chega lá. Não fica novo em folha. Longe disso. Ficam as marcas, lógico. Nunca mais seremos os mesmos. Isso não é ruim.

Cada um carrega as suas cicatrizes. Umas são mais visíveis do que as outras. Mas são essas cicatrizes que provam que vivemos, que não nos escondemos, que sofremos mas estamos aí.

No final, é isso que importa.

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2 Comentários leave one →
  1. 20 de dezembro de 2012 17:32

    Espero encontrar essa força, assim como você.

  2. 20 de dezembro de 2012 17:37

    Cris, a força você já tem! Certeza! Basta descobrir onde ela está e acessá-la! Qualquer coisa, pode contar comigo! Estamos todos no mesmo barco! Um grande beijo!

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