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Mais Sobre Mim

9 de agosto de 2012

Eu fui aquela garota… Aquela que chegou à escola na quinta série, no meio do ano, quando todos já se conheciam. Mais grave: não falava o idioma. Ideia dos meus pais, me colocarem numa escola estrangeira aos 11 anos, sem que eu soubesse falar o idioma. Fogo.

Mas foi a escola onde fiquei até o final (sob protestos) e na qual mal me adaptei nos anos seguintes.

Eu era aquela que lanchava e almoçava sozinha, com os livros. Que era bullied, que era estranha, que acabou se juntando ao grupo de teatro. Que, lá pelas tantas, começou a se vestir de forma diferente, meio hippie, ouvindo Janis Joplin e Jimi Hendrix no walkman.

Se é pra ser estranha, vamos ser com classe!

Eu era aquela que, quando criança, não podia sair para brincar, não podia ir para excursão de escola, não podia ter amiguinhos do sexo oposto.

Socialização zero.

Dizer que isso não me afetou, dizer que isso não minou minha auto-estima, é mentira.

Tudo bem que hoje eu sou mais bem sucedida do que a maior parte dos meus colegas. Tudo bem que hoje sou mais segura, mais independente, mas isso me afetou pra caramba.

Porque junto com a pressão dos colegas, vinha a pressão linda do meu pai. Ele adorava afirmar que eu era feia (juro, não sou), gorda (pesando 50kg!), burra, chata. E dá-lhe horas de estudos para provar que eu não era burra (feia, gorda e chata eram questões de opinião). Recebia notas altas, elogios mil dos professores (algo que ele nunca ouviu), enfim…

Afetou? E como.

E dá-lhe terapia.

Segundo o meu “guru” (brinco que meu nutricionista é meu guru), isso pode ter contribuído com os abusos sexuais que eu sofri. Essa questão de querer agradar os “adultos” acabou me tornando uma presa fácil para abusadores. Pode ser. Claro que a culpa não é minha. Óbvio. Mas talvez eu tivesse escapado de algumas situações.

Hoje entendo que o problema maior está com aqueles que abusaram de mim (sexualmente, moralmente, fisicamente, enfim).

Meu pai (que nunca me abusou sexualmente, mas abusou fisicamente e moralmente), por exemplo, precisa de tratamento. É sério. Mas aí você vai na raiz de todos os males (ou quase todos) – os pais… Os pais dele, meus avós, adoram colocar as pessoas para baixo.

Tipo, hoje estou “gordinha”. 8kg acima do peso que o meu nutricionista quer para mim. Estou emagrecendo aos poucos, cuidando da alimentação, enfim… Mas não é dizer que estou GORDA. Estou com sobrepeso. Mesmo que estivesse gorda, o problema seria de quem? Meu, né? Então, meus avós (minha avó, principalmente) adoram dizer que eu estou G-O-R-D-A. Tipo, enorme. Detalhe que a minha avó está com problemas de saúde por causa do peso DELA.

Sabe sentar no rabo e apontar o dos outros? Tipo isso.

Mania que o povo tem de querer colocar os outros para baixo para, quem sabe, sentirem-se melhor… Não entendo.

A propósito – não, não odeio meus pais, nem meus avós. Queria muito que minha família fosse daquelas de propaganda de margarina… Família feliz, unida, sabe? Não é. Então eu lido com isso. Aprendi a lidar com meu pai, com meus avós, com a minha família. Eu tenho as minhas limitações e eles têm as deles.

Enfim… Isso é um pouquinho mais de mim.

Beijos.

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2 Comentários leave one →
  1. 9 de agosto de 2012 21:12

    Vi,
    Eu sei que vc já sabe de tudo isso. Mas mesmo assim eu vou dizer.
    Primeiro: vc é linda. Doce. E tem os olhos mais profundos que eu já vi. Que parece que carregam um pedaço do mar do Caribe (já que é pra elogiar, vamos fazê-lo com classe, né? Hehehehe).
    Vc tem um jeitinho muito amável e carinhoso. Sua maneira de sorrir, de se emocionar com oq ouve, a forma delicada de como vc se expressa.
    Pra quem tá de fora (como eu), é difícil entender como um mulherão como vc pode ter baixa auto-estima. Mas é claro que compreendo, por causa da sua história.
    Eu adorei permanecer ao seu lado mesmo que por poucos dias. Aprendi muito e senti uma energia muito boa vindo de vc.
    Eu sinceramente acho que vc devia falar pra sua avó que ela é uma velha gorda e chata (desculpinha, mas não me controlei). E pro seu guru, que ele é um fofo.

    Beijos minha querida.

  2. 9 de agosto de 2012 21:24

    Amiga linda! O que dizer? Amo você!! Conhecer uma pessoa tão maravilhosa, tão encantadora, foi uma bênção!! Você é aquela pessoa que faz o Papai do Céu acreditar que os seres humanos ainda têm esperança. Você é um exemplo de amor ao próximo, um exemplo de vida, de bondade! Sou uma pessoa de sorte por poder considerá-la minha amiga!! 🙂

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