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A Cicatriz

24 de novembro de 2012

Tem uma história (verdadeira) que li quando era adolescente. Era sobre uma moça que foi a um cirurgião plástico para tirar uma cicatriz no rosto.

O cirurgião teve a presença de espírito de perguntar se ela era uma modelo. Ele simplesmente não via motivo para tirar a cicatriz.

A cicatriz era antiga. Pertencia a uma garota que se machucou e, ainda com o curativo no rosto, teve seu cabelo cortado de forma desastrosa por um aprendiz de cabeleireiro e começou a usar óculos (o que reafirma a minha teoria que desastre sempre vem em 3).

O pai, na melhor das intenções, falou que ela sempre seria linda para ele, ainda que não fosse para o resto do mundo.

Sabe, cicatriz acaba sumindo. Até quando você, como eu, tem problemas de cicatrização (tenho queloides). Elas diminuem, perdem a importância e, por pior que pareçam, as pessoas relevam.

Prova? A modelo Padma Lakshmi tem uma enorme no braço desde antes de começar a carreira. Nunca a tratou, sempre a exibiu com orgulho.

Cicatrizes fazem parte da gente. São intrínsecas à nossa história.

O cirurgião falou que, na frente dele, via uma linda mulher. Ele explicou que a imperfeição na beleza das mulheres é o que faz delas únicas e humanas. Disse que não tocaria a cicatriz e que a beleza, de fato, vem de dentro da pessoa. E que ela deveria acreditar nele, afinal era o dever dele saber isso.

Assim ele tirou a cicatriz que estava presa à alma.

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