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Um Conto de Ação de Graças

23 de novembro de 2012

Ontem (quinta-feira, dia 22 de novembro), foi dia de ação de graças, ou “Thanksgiving” para os americanos. É um feriado importante para eles. É o único feriado que existe para eles agradecerem o que têm e curtir a família sem qualquer outra preocupação (como dar presentes, vestir fantasias, o que quer que seja).

Eu, tendo estudado em escolas estrangeiras, sabia da data, mas achava que era a última quinta-feira do mês de novembro. Um amigo meu, um americano que mora em Paris, me corrigiu. Não. É a quarta quinta feira do mês de novembro. Ah, tá.

Resolvi aproveitar o dia para pensar no ano que está acabando. Pensar no que tenho a agradecer (muita coisa!), nas pessoas que conheci, enfim. Celebrar, ainda que intimamente, tudo o que ocorreu este ano.

Dessa minha celebração nasceu a história que vou contar hoje.

Desde janeiro deste ano vou a um nutricionista. Não estava satisfeita com o meu peso, não estava contente com o meu corpo e estava bastante de mal com a vida.

Vivia cansada. Muito cansada. Dormia por horas. Fazia tratamento contra ansiedade e depressão. Aumentava e diminuía remédios sem um resultado satisfatório. Continuava deprimida. Continuava me estressando. Continuava me sentindo mal pelo simples fato de ser eu mesma.

Para juntar com tudo isso, em agosto do ano passado acabou um relacionamento longo (e, de quebra, perdi outra pessoa importante para mim). O que estava ruim ficou pior. Não sabia o que era autoestima, desconhecia o amor próprio, felicidade era algo que dificilmente sentia. Enfim, estava um caco.

Para ser sincera, não lembro ao certo o que me fez procurar esse nutricionista. Lembro que tinha um amigo no trabalho que comia feito um touro e estava perdendo peso.

Emagrecer comendo era o que eu queria. Ou assim pensava eu.

Em novembro ou dezembro de 2011 liguei e consegui consulta para janeiro de 2012. É. Difícil a consulta com esse cara. E olha que ele não é barato (muito depois me dei conta que se ele cobrasse o dobro, ainda assim valeria cada centavo).

Marquei. Esperei as festas acabarem e fui.

Deveria ter filmado. Ou gravado. Ou alguma coisa.

Ele falou mil coisas. Muitas eu assimilei, outras não. Foi coisa demais. Ele falando, eu ouvindo. E quase chorando.

Ele falou coisas da minha vida, da minha personalidade… Coisas que quase ninguém sabia. De alguma forma (intuição? Mediunidade?) ele analisou a minha alma.

A consulta foi uma terapia. Levou um bom tempo para eu ter, de fato, uma dieta. Primeiro ele foi curando o emocional (que estava bem ruinzinho, como disse antes).

De cara, já melhorou a minha autoestima. Afinal ele começou o “tratamento” me chamando de Rainha (um fofo, de verdade).

Desde então traçamos juntos um longo caminho. Em poucos meses saí dos remédios controlados. Tive algumas recaídas (menos do que quando me tratava com antidepressivos), titubeei, mas fui levando.

Com o tempo, fiquei animada. O peso da balança tornou-se a menor preocupação. O trabalho dele estava sendo bem mais emocional/espiritual do que alimentar. E vai explicar isso pra alguém.

Em pouco tempo falaram que eu “só podia” estar apaixonada por ele. Como ouvi isso. Ouvi à exaustão e logo desisti de tentar explicar que eu *não* estava apaixonada por ele, mas que obviamente o admirava. Afinal ele conseguiu coisas que eu julgava ser impossível.

Tempos depois ele falou que eu precisava de reiki. Que reiki iria me ajudar a manter o equilíbrio, que seria bom para mim, etc. Comecei fazendo com aquele meu colega que me indicou o nutricionista. Mas era difícil termos qualquer regularidade. Nossas agendas eram praticamente incompatíveis.

Ele anotou o telefone de uma terapeuta e falou para eu ir.

Como sou obediente (e ele virou meu guru/terapeuta/confidente e, de quebra, me ajudava a perder uns quilos), em setembro fui à terapeuta de reiki que ele indicou.

Pessoa linda, maravilhosa, iluminada.

Comecei o tratamento. Engraçado que por mais maravilhosa que eu a considere (e eu a considero demais), ninguém veio dizer que “só posso” estar apaixonada por ela.

Entenda os seres humanos. I dare you!

Eu queria dividir a história (porque já está enorme), mas não vai dar. Vou ter que continuar.

Em algum momento ela me falou que daria um curso de reiki, Nível 1, em novembro. E, olha que coisa boa… Pelo preço de 3 aplicações, eu poderia me tratar sozinha. Em casa. E levaria “alta” dela.

Nas semanas que antecederam o curso, minha vida virou de cabeça para baixo. O estresse tinha tomado conta. Estava nervosa, chateada, estressada… Ficava doente o tempo todo (3 atestados em 2 meses). Quando alguma coisa melhorava, outra piorava. E só o nutricionista não estava ajudando (para ser sincera, nem sei quanto de tudo o que ocorreu ele soube).

A birra maior era com o meu chefe. A gente estava se desentendendo o tempo todo. O que um dizia o outro interpretava da pior forma. Na semana do curso batemos boca e o negócio ficou feio. Ânimos exaltados, minha pressão (que sempre foi normal) subiu. Passei mal, chorei, fui parar no hospital. Outro atestado e a indicação de procurar um psiquiatra para voltar a tomar remédios controlados.

Não queria isso. Foram 5 anos ininterruptos de terapia e medicação e eu nunca vi um resultado muito marcante.

Bem, isso era segunda. Na quarta teria uma sessão de reiki e, no sábado, começaria o curso.

Resolvi que ia esperar o curso passar para decidir o que fazer.

Só sabia que tinha atingido um marco na minha vida. Depois do dia da briga com o meu chefe, as coisas teriam que mudar. Não mudar não seria opção. Estávamos praticamente na porta da comissão de ética de onde eu trabalho. O negócio foi feio de verdade.

Só que “as coisas” não mudam. Apenas as pessoas são mudadas. E só muda quem quer. E eu só tinha a chance de mudar uma pessoa naquela situação: eu mesma.

Fácil, né?

Passei a semana pensando nisso, pensando que do jeito que estava não poderia mais ficar. Que aquilo não era vida. Só que, ao mesmo tempo, não encontrava uma saída. Não via solução. Para ser sincera, achava que só um milagre resolveria a situação no trabalho.

Tinha tentado de tudo. Mudar de setor, mudar de cidade, mudar de chefe. Nada deu certo.

É. Eu precisava de um milagre.

Mas decidi que quem está na chuva é pra se molhar mesmo e nada como um dia após o outro e vamos ver o que o curso de reiki vai trazer pra mim. Bem no estilo “vou pagar para ver”.

Sábado amanheceu um dia meio nublado, meio chuvoso, meio friozinho. Tomei um banho, coloquei uma roupa e fui enfrentar a vida, digo, o curso.

Se tem uma coisa que, acima de tudo, admiro no meu nutricionista, é a forma como ele leva a vida. Ele trata todas as pessoas com um carinho enorme. Não julga. Não altera a voz. Trata da mesma forma o porteiro e o paciente-celebridade. Exemplo mesmo, sabe?

A terapeuta/mestre de reiki é igualzinha. A pessoa exala amor ao próximo. Transmite todos os tipos de energia maravilhosa. Paz. Amor. Carinho.

Eu estava o contrário de tudo aquilo.

Começou o curso e fui sentindo toda aquela energia ruim dissipando. A raiva, o rancor, a mágoa estavam sumindo e dando espaço para todas as coisas boas que inundavam o ambiente. Osmose pura!

No domingo, segundo e último dia de curso, estava outra pessoa. Me sentia leve, feliz, pronta para mudar o mundo. Ao mesmo tempo, compreendi o significado das palavras de Chico Xavier, “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Domingo eu decidi que ia mudar as minhas atitudes. Ia mudar a minha vida. Que essa era a única coisa que eu poderia fazer. O resto eu confiei a Deus (algo que meu nutricionista passou 10 meses falando e eu não conseguia entender como proceder). No fundo, no fundo, só tinha que confiar em uma coisa: ação e reação.

Se eu agisse de forma diferente, os resultados seriam diferentes, não é mesmo? Afinal, vi em algum lugar que a definição de loucura é fazer a mesma coisa esperando resultados diferentes.

Decidi, naquele momento, que não iria mais me estressar. Que a única coisa a fazer seria agir da melhor forma possível, seguir o exemplo dos meus “mestres” (minha terapeuta e meu nutricionista) e confiar que mais dia, menos dia as coisas iriam mudar.

Na segunda-feira, a primeira mudança que senti foi que consegui me concentrar melhor (para mim é difícil). A segunda foi que eu estava alegre, contente, satisfeita, feliz. Só que ainda era cedo e quase ninguém tinha chegado (chego ao trabalho às 7h).

Sorri para todos. Falei com todos. Fui gentil.

Fui “imitando” as atitudes que admiro nos meus “mestres”.

Meu chefe chegou.

Uma semana antes levantamos a voz um para o outro. Agora eu estava me sentindo mudada só que como é que eu vou mostrar isso?

“Suas ações falam tão alto que não consigo ouvir suas palavras.”

Ação. Reação.

Fui trabalhando.

Em determinado momento pedi licença, entrei, acho que arrumei alguma desculpa para falar com ele (um processo mais complicado, provavelmente). Minha memória é péssima (ao contrário da dele, que é ótima).

O dia passou maravilhosamente bem. Tudo dando certo, as pessoas percebendo que eu estava diferente, melhor, mais doce, mais alegre…

Terça passou da mesma forma.

A tensão foi dissipando aos poucos. Prometi a mim mesma que trabalharia da melhor forma possível e seria tão prestativa para os colegas quanto os meus mestres foram para mim.

Na quarta tive uma conversa com o meu chefe.

Tinha a ideia de esperar mais um tempo. Umas duas ou três semanas, talvez.

Primeiro, para garantir que a mudança era duradoura. Segundo, para dar tempo ao tempo.

Mas, aconteceu.

Conversamos por horas. Fizemos as pazes de verdade. Admiti os meus erros e pedi desculpas. Ele, por sua vez, pediu desculpas também.

Momento Kodak total.

O “milagre” que eu precisava veio. Surgiu na forma de um curso que me deu instrumentos para eu lidar com as dificuldades que estava tendo. Algo que funcionou para mim.

O ano está acabando bem melhor do que começou.

E o ano que vem será ainda melhor.

Ah. E o meu peso? Estou perdendo devagar e sempre. Faltam uns 5kg.

Só que a diferença é que hoje me olho no espelho e amo a pessoa que me observa. Considero ela linda.

E agradeço o dia em que pisei no consultório do nutricionista que percebeu que o que precisava de tratamento, mesmo, era a minha alma.

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A Minha História com o Feminismo

1 de outubro de 2012

Quando eu era mais jovem vivia repetindo aquelas baboseiras que a gente escuta por aí. Tipo:

– Não sou machista, nem feminista. Sou humanista.

– Mulher tem que se dar o respeito.

– Não sou de direita, nem de esquerda. Odeio política.

E lá ficava eu, no meu mundinho de burguesia, achando que o feminismo não tinha razão de existir, porque já tínhamos conseguido alcançar todas as igualdades e podíamos votar. Os homens são cretinos e as mulheres dão o golpe da barriga mesmo e tudo estava bem. Porque, né, o que não me pertence não me afeta e eu tenho mais o que fazer da vida do que ficar brigando por uma coisa que não vai me beneficiar.

Não sei dizer, com muita certeza, quando é que isso começou a mudar.

A questão de estupro e de violência contra criança sempre me atingiu, então eu nunca fui de dizer “mas, também, com aquela roupa…” e nem que “criança só aprende na porrada.” Isso, não. O resto tudo, confere, o machismo imperava.

Talvez tenha começado quando eu resolvi assistir Law & Order: Special Victims Unit (Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais), que trata de crimes sexuais. Como eu me formei em direito e não assistia nenhum seriado sobre isso (em compensação, assistia vários de medicina, vai entender), resolvi que SVU seria uma boa.

Acho que, depois, uma coisa foi puxando a outra. Cheguei no blog da Lola, comecei a ler sobre o feminismo e passei a verificar como o machismo é, ainda, muito, mas muito, escancarado na nossa sociedade. Eu, que achava que feminismo era coisa de gente à toa, que o preconceito no Brasil era contra as classes sociais e que as cotas na universidade prestavam um grande desserviço, fui mudando meus conceitos.

Com o tempo fui percebendo que a gente está tão acostumado a vomitar preconceitos que somos capazes de rir do CQC (algo que não assisto nem que me paguem) e nem ficar envergonhados. Afinal, é só uma piada, né? É pra rir!

Vi que tinha trilhado um caminho sem volta quando, no Twitter, dei “bronca” no Mauricio de Sousa.

Explico. Um belo dia ele retuitou uma piada mega-ultra-hiper machista de quem?  Do CQC.

O Mauricio é o meu ídolo desde quando eu era uma criança. Sou louca por ele. Acho o Mauricio um exemplo de ser humano, de pessoa, de pai. Quando ele retuitou uma piada infame do CQC (um cara que tem o cartão roubado e não dá queixa pq, né, o ladrão gastou menos do que a esposa dele), reclamei. Mesmo.

Na hora o Mauricio assumiu o erro e, mais tarde, fiquei sabendo que ele falou que eu tinha toda a razão de achar ruim.

Preciso dizer que fiquei toda feliz?

Essa Vida de Privilégios…

28 de setembro de 2012

O ideal da nossa sociedade é o homem-branco-hétero. Assim é a concepção que temos de Jesus Cristo e é assim que a sociedade privilegia os seres humanos. O homem (branco, heterosexual) é o ideal e, quanto mais longe, mais o “ser” é considerado um humano de segunda categoria.

Durante muitos anos achei que o contrário de homem branco, hétero era a mulher, negra, lésbica. Porque, né, o homem (branco, hétero – daqui em diante HBH) possui, desde sempre, todos os direitos previstos em todas as leis (escritas ou não). A mulher, coitada, é um pedaço (costela) do homem. Veio (segundo a religião) para “complementar”, para “servir”. Quem é filho de Deus? O homem.

Aí, lendo o blog da Lola eu vejo o relato do troll que mudou de vida.

Cheguei à conclusão que o contrário de homem não é mulher. É, provavelmente, @ trans.

A sociedade não sabe lidar com el@s. São quase completamente negados. Poucos são seus direitos. Não sei qual sofre mais preconceito, se o trans-feminino ou o trans-masculino.

Também pudera. Afinal, exceto pelo meu sexo, não estou longe do “ideal”.

Adoraria que viesse alguém relatar como é a vida de quem está longe do “ideal” da sociedade em que vivemos.

Em tempo, fiz estágio no Ministério Público, na promoria que autorizava mudança de sexo. Foi uma experiência fantástica.

Beijos!

Lutar é Errado?

7 de setembro de 2012

Pela primeira vez eu me mobilizei durante uma greve. De verdade, participei de vigílias, sofri a ameaça de ter o ponto cortado (que, de fato, foi cortado, mas haverá a negociação semana que vem), enfrentei sol, vento, frio, calor. E, para piorar, enfrentei a mobilização da mídia contra os grevistas.

Ficou muito claro, para mim, que protestar, no Brasil, é errado.

A mídia fez questão de ressaltar que os servidores públicos são “sangue azul.” Ganham bem e “ficam reclamando.” Isso foi o mostrado.

Ninguém falou que muitos estão há 6 anos sem **reajuste**. A inflação está comendo o salário dos servidores. Não temos data-base. Não temos FGTS. A Dilma ofereceu 50 reais de “aumento” para os servidores de nível superior das Agências Reguladoras em 2013 e 25 reais para os servidores de nível médio. Nos últimos 4 anos a perda foi de 25% (inflação acumulada no período). Para quem está há  6 anos sem aumento, a inflação foi de 40% (ou mais).

Os servidores não queriam aumento. Queriam reposição salarial decorrente da inflação. Ponto.

Mas lutar, no Brasil, parece ser errado.

Na França luta-se por tudo. Luta-se pela legalização dos sans-papiers, pela educação infantil, pela saúde, pelos impostos e, pasmem, segundo a Mirelle, do blog 13 anos depois, até mesmo pelo aumento da taxa sobre a utilização de música ambiente.

Morei um ano lá (em 1996-1997) e constatei essa sede dos franceses em brigar. Por tudo. Sempre.

É errado? Não acho.

A guerra entre o povo e o governo deve ser diária. Se a gente não luta, a gente não consegue nada. Isso não ocorre só aqui.

Para mim, temos, sim, que lutar. O que os servidores fizerem foi isso. E a mídia resolveu pintar os servidores de “reclamões.”

Errado, para mim, é quem acha que reclamar é errado.

Não Se Brinca Com os Sentimentos Alheios

25 de agosto de 2012

Acho que tudo na vida tem limite. Acho que a gente não deve brincar com os sentimentos alheios. Acho que a honestidade é a chave para um monte de coisas. Se a gente diz “eu te amo”, deve fazê-lo com sinceridade.

Na internet, a fim de preservarmos um mínimo de nossa vida particular, às vezes temos que recorrer a certas armas. Algumas pessoas recorrem a pseudônimos. Eu mesma tenho um blog com pseudônimo.

Fernando Pessoa tinha vários. Um mais complexo que o outro. Machado de Assis tinha vários também.

Acontece.

O que você não deve fazer é envolver um monte de gente no seu pseudônimo e depois machucar essas pessoas com uma morte anunciada.

Dito isso, aparentemente a Niemi (quem quer que seja, pois é um pseudônimo) pode estar viva.

Mecanismos de Defesa

16 de agosto de 2012

Hoje estava conversando com uma amiga e chegamos no papo de bullying e mecanismos de defesa (coping mechanisms) que acabamos desenvolvendo para lidar com a vida durante os anos escolares.

Aí falamos que a arte acaba abrigando esses seres rejeitados pela socidade. Seja pela aparência, seja por complexos de inferioridade, seja por um lar desajustado. A arte comporta todo mundo, sem distinção.

No caso dela, ela tinha a música. Eu, que nunca aprendi a tocar um instrumento, fiz teatro (acho que ela também fez), escrevi (ela também), li horrores (ela, idem). Histórias parecidas em continentes diferentes. Nem tão incomum assim.

O fato é que nunca recorri a drogas ilícitas, nunca fumei e não curto me embriagar.

Vejo pessoas ficarem chocadas quando descobrem histórias de abusos sofridas por celebridades (tipo a Xuxa).

A busca por uma realidade alternativa, por um papel diferente, é quase uma questão de sobrevivência em muitos casos. Não precisa cavar muito, não.

As emoções expostas por um músico em um concerto, por um ator no palco, um escritor num livro, um artista num papel são lembranças vivas de experiências passadas. Vai saber o que houve?

Nunca tinha parado para pensar nisso mas, na verdade, durante o meu segundo grau  produzi mais textos (contos, poesias) do que em qualquer outro momento da minha vida.

A arte é uma válvula de escape. E, eu diria, bastante saudável.

A Vida Como Ela Tem Que Ser

15 de agosto de 2012

Que a vida não é perfeita, a gente sabe. Que ela é injusta, temos certeza. Mas existe uma coisa que a gente escuta, escuta e demora a entender: a vida é feita de momentos. Bons ou ruins, não importa. São momentos.

E eles passam. Os melhores momentos passam. As melhores pessoas vão embora, às vezes sem nos dar a chance de um “adeus.”

E aí é aquela coisa… A gente tem que dizer às pessoas que nos são caras sobre o que sentimos por elas. Hoje. Amanhã poderemos não ter essa chance.

Relendo históricos de conversas que tive com a Niemi, percebi que deixei claro que ela era especial. Que gostava demais dela, que sentiria a sua falta caso ela partisse.

Antes de hoje não tinha coragem de reler nossas conversas. Hoje tomei coragem e fiquei aliviada. De verdade.

Sabia que ela estava doente, mas não sabia que corria risco de morte. De qualquer forma, disse a ela, em diversas ocasiões, que ela era especial. Que queria que ficasse boa. Que rezava e torcia por ela.

Hoje ela não está mais entre nós. Se existe um outro plano, não sei. Se tudo acaba com a morte, também não sei (mas prefiro acreditar que a morte apenas encerra uma etapa da existência).

O fato é que fico tranquila por saber que ela sabia… Ela sabia que era querida por mim (e por vários outros).

E seus amigos? E as pessoas que você ama? Sabem disso?